Justiça da Água: O Legado das Cidades-Esponja para o Futuro do Brasil Por Cynthia M. Cominesi

Uma notícia que me fez refletir

Foi com tristeza que recebi a notícia da queda de um avião monomotor em Aquidauana (MS), que vitimou o arquiteto chinês Kongjian Yu, criador do conceito de cidades-esponja. Ele estava no Brasil justamente para dialogar sobre como podemos transformar nossas cidades e conviver melhor com a água.

Esse episódio me tocou profundamente. Não apenas pela tragédia, mas pelo simbolismo: um pensador que dedicou a vida a integrar natureza e urbanismo nos deixou enquanto explorava nosso Pantanal. Foi a partir desse impacto que escolhi escrever sobre o legado dele — e refletir sobre o que significa para nós, mulheres empresárias, líderes e profissionais do agro.

O que são cidades-esponja?

Yu defendia algo simples e poderoso: ao invés de lutar contra a água, devemos aprender a conviver com ela.

As cidades-esponja são planejadas para absorver e reter a água da chuva, devolvendo-a lentamente ao solo e aos lençóis freáticos. Isso é feito com soluções como:

  • parques e praças alagáveis,
  • jardins filtrantes,
  • pavimentos permeáveis,
  • áreas verdes que atuam como esponjas naturais.

Com isso, as cidades se tornam mais resistentes a enchentes, secas e eventos climáticos extremos — problemas cada vez mais frequentes no Brasil.

Por que isso importa para nós?

No Brasil, especialmente em regiões urbanas e agrícolas, já sentimos os efeitos da falta de planejamento hídrico: enchentes devastadoras, secas prolongadas, rios contaminados.

Para mulheres do agronegócio, líderes empresariais e profissionais de áreas estratégicas, o conceito de cidades-esponja traz reflexões importantes:

  • 🌱 Gestão de risco: nossas empresas e lavouras só prosperam se houver segurança hídrica.
  • 🌱 Competitividade: o mercado já valoriza quem adota práticas sustentáveis e inovadoras.
  • 🌱 Legado social: empreendimentos liderados por mulheres têm a oportunidade de unir resultado econômico e impacto positivo.

Reflexão pessoal: o que aprendi com essa notícia

A perda de Kongjian Yu me fez pensar no quanto insistimos em soluções que endurecem a relação com a natureza: canais de concreto, obras emergenciais, contenções. Mas a água sempre encontra um caminho.

E se, como líderes, mudássemos nossa mentalidade? Se ao invés de drenar e lutar, buscássemos soluções que abraçam o fluxo natural da vida?

Assim como a cidade pode ser esponja, nós também podemos ser: absorver, filtrar, devolver. Um novo modelo de liderança — mais resiliente, empática e conectada à natureza.

Desafios e oportunidades para o Brasil

É claro que aplicar esse conceito em larga escala não é simples. Exige investimento, capacitação técnica e vontade política. Mas também é uma grande oportunidade para inovação — e para mulheres liderarem esse movimento.

No agro, por exemplo, sistemas inspirados nas cidades-esponja podem reduzir erosões, proteger nascentes e melhorar a infiltração da água no solo. Nas cidades médias e grandes, projetos verdes podem prevenir tragédias urbanas e ainda criar espaços de convivência mais humanos.

Caminhos práticos para nós, líderes e empresárias

  1. Comece pelo pequeno: jardins filtrantes, calçadas permeáveis ou hortas comunitárias já fazem diferença.
  2. Valorize fornecedores conscientes: dê preferência a quem respeita o ciclo da água em seus processos.
  3. Dialogue com gestores públicos: participe de conselhos e fóruns para defender projetos de drenagem sustentável.
  4. Eduque sua equipe: promova conhecimento sobre gestão hídrica e inspire mudanças culturais.
  5. Conecte o agro às cidades: leve soluções do campo para o urbano e vice-versa, criando redes regenerativas.

Um legado que não se perde

Kongjian Yu nos deixou cedo demais, mas sua ideia continua viva. O conceito de cidades-esponja não é apenas sobre engenharia — é sobre respeito ao ciclo natural e compromisso com a vida.

Como mulheres empreendedoras e líderes, temos a chance de transformar essa inspiração em prática: repensar nossas empresas, nossos campos e nossas cidades para que sejam mais permeáveis, mais resilientes e mais justas.

🌿 Estamos preparadas para esse desafio? Talvez a melhor forma de honrar esse legado seja começar agora, cada uma em sua esfera de influência, a plantar cidades e negócios que absorvem, transformam e devolvem vida.

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