Entre o salto e o chinelo: autenticidade como diferencial competitivo por Tatiana Lautner

Durante muito tempo, o sucesso profissional foi associado a uma imagem específica: o salto alto, o blazer bem cortado, o discurso impecável. Muitas mulheres acreditaram que para serem levadas a sério precisavam vestir uma armadura social — esconder fragilidades, disfarçar sotaques, e até ajustar o tom da própria voz. Mas o mercado mudou, e com ele, a forma de se conectar com clientes, parceiros e equipes. Hoje, o verdadeiro diferencial não está na performance perfeita, e sim na autenticidade.

Ser autêntica é ter coragem de aparecer inteira — com seus altos e baixos, com o salto ou o chinelo, conforme o momento. É entender que vulnerabilidade não é fraqueza, mas ponte de conexão. Quando uma empreendedora se permite mostrar quem é, ela cria uma marca viva, humana, que inspira confiança. Pessoas compram de pessoas, não de personagens.

Essa autenticidade também se reflete nas decisões de negócio. A mulher que sabe quem é e o que valoriza não entra em projetos desalinhados, não aceita parcerias tóxicas e não se perde na comparação. Ela entende que coerência gera força de marca. E isso, num mercado saturado de promessas, é ouro.

Em tempos de redes sociais, onde a perfeição é encenada diariamente, ser autêntica é um ato revolucionário. Mostrar bastidores, compartilhar erros, contar histórias reais — tudo isso aproxima o público e reforça a credibilidade. A autenticidade é o que diferencia o conteúdo vazio de um posicionamento sólido.

No fim, o salto e o chinelo são apenas símbolos. O salto representa a força, a postura, a ambição; o chinelo, a leveza, o descanso, a verdade do cotidiano. O equilíbrio entre os dois é o que torna uma mulher empreendedora completa. É possível liderar com firmeza sem deixar de lado a doçura; crescer sem precisar se endurecer.

Autenticidade não se fabrica — se cultiva. Ela nasce do autoconhecimento, do respeito aos próprios limites e da clareza sobre o que realmente importa. Quando uma mulher empreende a partir de sua essência, ela não precisa competir: ela atrai. E é justamente aí, entre o salto e o chinelo, que nasce o verdadeiro poder feminino nos negócios.

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