A Tendência dos Laços na Primavera-Verão 2026: Elegância, Afeto e Identidade por Mônica Xavier

Quando olho para o horizonte da moda na primavera/verão 2026, vejo os laços se destacando como um detalhe que foge ao mero enfeite — eles viram símbolo, gesto e linguagem emocional. Os laços reaparecem com uma presença quase poética, seja em cinturas, golas, tornozelos, decotes ou até nos acessórios. Não é só sobre moda: é sobre como queremos ser vistos e como queremos nos sentir.

Por que os laços têm força nessa temporada

Romantismo e suavidade
O laço traz uma suavidade estética, uma leveza romântica. Num mundo que anda tão acelerado e tão digital, usar algo que transmite delicadeza — esse gesto visual do laço — funciona como uma pausa, um recuo elegante. É uma volta ao feminino clássico sem ser retrógrado, porque os laços vêm repaginados: tecidos translúcidos, fitas largas, amarrações assimétricas, laços oversize ou discretíssimos.

Jogo de dualidades: força e vulnerabilidade
O laço consegue unir o contraste entre o que pode parecer frágil e o que é sintoma de poder. Amarrar algo sobre o corpo é marcar presença, criar um detalhe visual que chama atenção. Ao mesmo tempo, há no laço uma sugestão de cuidado, de afeto, de ornamentação, de delicadeza. Em 2026, acredito que o uso de laços vai expressar essa dualidade: querer se afirmar, mas também mostrar suavidade, afetividade.

Autoexpressão e identidade
Os laços oferecem uma liberdade de expressão muito grande. Posso colocá-los onde quiser: no decote, nos ombros, como cinto, nas mangas, nos sapatos, até nos cabelos. Cada escolha conta quem sou — mais audaciosa, mais romântica, mais discreta ou extravagante. E, em temporadas que valorizam autenticidade, esse tipo de detalhe visual se torna importante. Ele permite modular a imagem que estou projetando: ousadia ou recato, festa ou casual, vintage ou contemporâneo.

Psicologia do olhar dos outros
Visualmente, laços tendem a chamar o olhar: há um jogo de formas e volumes que eles criam, e isso instiga o interesse. Quem vê, automaticamente associa à feminilidade, ao cuidado estético, ao capricho. Há também algo de nostalgia envolvido — laços remetem a lembranças de infância, de vestidinhos, de presente bem embrulhado —, o que pode gerar conforto emocional, simpatia. Em 2026, num momento em que buscas de conexão autêntica e aconchego emocional estão em alta, esse tipo de reforço visual que o laço provoca pode funcionar quase como um abraço visual.

Como vejo os laços sendo usados nesta primavera/verão 2026

Laços gigantes e estruturados em vestidos fluidos, criando foco visual forte sem perder leveza.

Fitinhas ou tiras delicadas servindo de alça ou borda de decote, para um toque romântico mínimo.

Amarrações assimétricas (ex: um laço lateral ou no ombro) para quebrar a rigidez da alfaiataria ou do visual mais formal.

Laços nos acessórios: sapatos, bolsas, chapéus — não necessariamente combinando, mas dialogando no look. Lembra do que sempre falo? Não é combinar, é conversar.

Mistura de texturas: laços de seda, cetim ou renda junto com tecidos rústicos (linho, algodão) para criar contraste e acentuar tanto a elegância quanto a naturalidade.


O que o uso dos laços transmite psicologicamente

Afeição e gentileza: usar laços pode ser uma mensagem silenciosa de cuidado consigo mesmo, de querer se vestir com carinho.

Vulnerabilidade empoderada: mostrar fragilidade percebida (o laço deve-se desfazer, ele é laço, não amarra firme) mas com consciência, com controle – isso pode ser já um tipo de força.

Desejo de conexão: ao escolher um detalhe que sugere romantismo, delicadeza, calor humano, muitas vezes é também um desejo de pertencer, de ser acolhido.

Equilíbrio emocional: visualmente, laços suavizam ângulos, cortes rígidos; ajudam a equilibrar o impacto da moda com algo mais fluido, mais humano.

Brincadeira e leveza: eles permitem experimentar — o look fica menos “sério”, mais divertido, mais criativo. E isso alivia, dá frescor à imagem.


Se eu fosse resumir o que espero dessa tendência para mim: os laços serão minha forma de afirmar que posso ser elegante sem rigidez, que posso ser visível sem deixar de ser suave, que posso construir uma imagem que dialoga com meu emocional — que o que visto não é só para os outros, mas para me sentir inteira dentro do espelho.

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