Retrospectiva 2025: Sustentabilidade, Propósito e Recomeços Por Cynthia M. Cominesi

Entre mudanças pessoais, profissionais e transformações globais, 2025 foi um ano de redescoberta — de mim mesma e do verdadeiro sentido da sustentabilidade.

Chegamos ao fim de mais um ano.
E, como costumo fazer em dezembro, parei por alguns instantes para respirar, olhar para trás e revisitar o caminho percorrido.

2025 foi um ano intenso. Um daqueles anos que não apenas passam, mas transformam.
Foram meses de mudanças profundas no mundo — e dentro de mim.

Vivemos a expectativa da COP30, aqui no Brasil, que colocou o país no centro do debate global sobre o clima e o futuro do planeta.
Mas, ao mesmo tempo, eu vivi a minha própria “conferência interna”: uma virada de ciclo, uma transição profissional e um reencontro com o meu propósito.

Mudanças que refletem o tempo e o ser

Depois de anos atuando em uma das empresas pioneiras na produção de etanol de milho no Brasil, senti que um novo chamado se aproximava.
Aquela experiência me deu uma base sólida — conhecimento técnico, visão de mercado e uma compreensão profunda sobre o papel do agronegócio na transição energética.

Mas, ao longo do ano, percebi que era hora de dar um passo diferente: unir minha vivência prática àquilo que sempre foi o coração da minha jornada — a sustentabilidade humana, social e ambiental.

E foi assim que, com emoção e gratidão, me despedi de uma história e iniciei outra, ao ingressar na Earthworm Foundation, uma organização internacional sem fins lucrativos que trabalha pela transformação responsável das cadeias produtivas, conectando empresas, comunidades e ecossistemas.

A Earthworm atua com temas como agricultura regenerativa, reflorestamento, condições justas de trabalho e consumo responsável — tudo o que acredito e defendo há anos.

Quando recebi o convite, senti que a vida me dizia: “É aqui que seu propósito e sua experiência se encontram.”
E foi mesmo. Porque estar em um lugar onde o trabalho é guiado por valores que ecoam o que você é — e não apenas o que você faz — é uma das maiores formas de sustentabilidade do ser.

Um ano de temas que se entrelaçam

Enquanto vivia essa transição, também escrevia aqui, mês a mês, refletindo sobre o mundo lá fora e o mundo dentro de mim.

Falamos sobre vida sustentável, arte e sustentabilidade, justiça climática, as cidades-esponja de Kongjian Yu, inteligência artificial verde, e, mais recentemente, sobre inovação sustentável e o protagonismo feminino na era da COP30.

Temas diferentes, mas com um mesmo fio condutor: a crença de que sustentabilidade não é uma pauta — é uma filosofia de vida.

Relembrando cada texto, percebo que o grande aprendizado de 2025 foi o de reconectar.
Reconectar com a natureza, com a arte, com a tecnologia, com as pessoas e, principalmente, comigo mesma.

A sustentabilidade do ser e o recomeço

No início do ano, falei sobre vida sustentável e o quanto ela começa dentro de nós.
Disse que sustentabilidade não é apenas separar o lixo ou economizar energia — é escolher todos os dias o equilíbrio.

Hoje, ao revisitar aquele texto, percebo que ele foi um prenúncio da minha própria jornada neste ano.
Porque toda mudança verdadeira começa dentro.

Mais tarde, escrevi sobre arte e sustentabilidade, e compartilhei a história da minha amiga e parceira Vilma Machado, artista e educadora que me ensinou a ver a sustentabilidade com outros olhos — os olhos da sensibilidade.

A arte, naquele momento, me ajudou a resgatar a leveza que o excesso de racionalidade havia levado.
Ela me lembrou que sustentar é também sentir.
E que ser sustentável é ter coragem de se reinventar.

Aprendizados de um mundo em transição

2025 também nos trouxe perdas e reflexões coletivas.
A morte do arquiteto Kongjian Yu, criador do conceito das cidades-esponja, me fez pensar sobre o poder simbólico de sua obra: cidades que absorvem, filtram e devolvem.

Percebi que é exatamente isso que precisamos aprender a fazer como sociedade — e como indivíduos.
Absorver as experiências, filtrar o que não serve, e devolver ao mundo algo melhor.

Logo depois, mergulhei no tema da justiça climática, refletindo sobre a desigualdade que atravessa a crise ambiental e sobre como nós, mulheres líderes e empresárias, temos papel essencial nesse debate.

Escrevi que sustentabilidade sem justiça é apenas um discurso — e sigo acreditando nisso.
As decisões que tomamos nos negócios, nas propriedades rurais, nas empresas e até nas nossas casas têm poder de transformar realidades.

A inteligência artificial e o futuro verde

Outro texto marcante deste ano foi o sobre a inteligência artificial e a sustentabilidade.
Ao ler o artigo “AI for Nature”, percebi o quanto a tecnologia pode — e deve — ser uma aliada do meio ambiente.

Mas também percebi algo mais profundo: não basta uma inteligência artificial; precisamos de uma inteligência emocional coletiva.
De nada adianta máquinas que aprendem se os humanos desaprendem a sentir.

Esse artigo foi, para mim, um divisor de águas.
Porque me fez enxergar que inovação e empatia não se excluem — elas se complementam.

A COP30 e o protagonismo das mulheres

Encerramos o ano com a COP30, sediada aqui no Brasil, em Belém.
Foi impossível não me emocionar ao ver o mundo inteiro discutindo o clima em território brasileiro — e, ao mesmo tempo, perceber tantas mulheres empreendedoras, líderes e profissionais assumindo o protagonismo das soluções.

Na minha coluna, escrevi sobre inovação sustentável, e como nós, mulheres, temos o poder de transformar a sustentabilidade em ação prática — dentro das empresas, nas comunidades, nas famílias.

Disse, e repito: inovar é cuidar. E cuidar é o verbo mais revolucionário do nosso tempo.

Fechando ciclos, abrindo caminhos

2025 foi o ano em que a sustentabilidade ganhou novas formas na minha vida.
Foi o ano em que entendi que propósito e profissão podem, sim, caminhar juntos.
Que recomeçar é uma forma de evolução — e que cada mudança traz uma nova chance de florescer.

Ao ingressar na Earthworm Foundation, percebi que minha trajetória — da agronomia ao campo, da gestão à consultoria, das colunas às salas de aula — me preparou para este momento.
Hoje, sinto que tudo se alinha: meu propósito, meus valores e meu trabalho.

E isso é, para mim, a definição mais bonita de sustentabilidade: quando o que fazemos está em harmonia com quem somos.

Até 2026 — com esperança e propósito

Encerrando este ano, quero agradecer a cada leitora que me acompanhou nessa jornada de palavras e reflexões.
Vocês, mulheres incríveis, são a prova viva de que sustentabilidade é ação, mas também é afeto.

🌿 Que 2026 venha com mais propósito, mais colaboração e mais coragem.
Que continuemos a plantar ideias, semear esperança e colher transformações.

Boas festas, um feliz novo ciclo e até o próximo ano.
Com carinho, Cynthia.

Colunista

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