A empresa cresce na mesma velocidade que a empreendedora por Tatiana Lautner

Há uma frase que escuto com frequência de mulheres empreendedoras:

“Meu negócio parece ter parado de crescer.”

Quando isso acontece, a primeira reação costuma ser procurar soluções externas. Um novo curso de marketing, mais publicações nas redes sociais, um site mais moderno, uma nova estratégia de vendas ou até uma mudança completa de nicho.

Tudo isso pode ser importante. Mas, antes de mudar a empresa, vale a pena fazer uma pergunta mais profunda:

Quem eu me tornei desde que comecei esse negócio?

A resposta pode revelar muito mais do que qualquer relatório de vendas.

Empreender é uma jornada de crescimento constante. No início, aprendemos praticamente todos os dias. Erramos, ajustamos, experimentamos e comemoramos cada pequena conquista. Com o tempo, porém, a rotina toma conta. As listas de tarefas aumentam, as responsabilidades se multiplicam e, sem perceber, passamos a trabalhar apenas para manter a empresa funcionando.

E sobreviver não é a mesma coisa que crescer.

Muitas vezes, a empresa não está estagnada por falta de oportunidades. Ela apenas chegou ao limite da estrutura, da visão e das decisões que a trouxeram até aqui.

Cada fase do negócio exige uma nova versão da empreendedora.

A mulher que teve coragem de abrir a empresa talvez precise desenvolver habilidades de liderança para formar uma equipe. Aquela que fazia tudo sozinha precisará aprender a delegar. Quem sempre trabalhou pelo menor preço talvez tenha que descobrir como comunicar o verdadeiro valor do que oferece. E aquela que vive dizendo “sim” para tudo poderá precisar aprender que dizer “não” também faz parte da estratégia.

O crescimento de um negócio raramente acontece apenas porque o mercado mudou. Ele acontece quando quem está à frente dele muda primeiro.

Infelizmente, muitas mulheres investem com facilidade em equipamentos, cursos técnicos, identidade visual ou publicidade, mas deixam o próprio desenvolvimento para depois. Esquecem que a ferramenta mais importante da empresa continua sendo a pessoa que toma as decisões.

Uma empreendedora mais segura toma decisões melhores.

Uma empreendedora mais organizada administra melhor seus recursos.

Uma empreendedora com mais clareza identifica oportunidades que antes passavam despercebidas.

Uma empreendedora emocionalmente equilibrada enfrenta desafios sem permitir que o medo conduza suas escolhas.

O desenvolvimento pessoal nunca foi um luxo. Para quem empreende, ele é parte da estratégia.

Isso não significa buscar perfeição ou acreditar que um dia estaremos totalmente prontas. Significa compreender que crescer faz parte da responsabilidade de liderar um negócio.

Se a empresa é um reflexo de quem a conduz, cuidar do próprio crescimento deixa de ser um ato individual. Torna-se um investimento direto no futuro daquilo que você está construindo.

Por isso, nesta semana, deixo um convite para uma pausa.

Em vez de perguntar apenas o que sua empresa precisa para crescer, pergunte a si mesma:

“Que habilidades, atitudes ou decisões preciso desenvolver para conduzir meu negócio ao próximo nível?”

Talvez a resposta não esteja em trabalhar mais horas, mas em se tornar uma líder diferente daquela que você era quando tudo começou.

Porque empresas não crescem sozinhas.

Elas crescem quando suas empreendedoras também escolhem crescer.

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