A CVM Bate à Porta: Sua Empresa Está Pronta Para a Nova Era da Sustentabilidade? Por Cynthia Moleta Cominesi

Pense rápido: qual o verdadeiro valor da sua empresa? Não me refiro apenas aos números no balanço, mas à percepção, à reputação, à confiança que ela inspira. Em Sorriso, no coração do agronegócio, sabemos que a terra, o clima e as pessoas são nossos maiores ativos. E é exatamente essa mentalidade que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) está trazendo para o centro do mercado financeiro brasileiro com uma nova e poderosa regra.

Se você pensa que sustentabilidade é “bonitinho” ou um custo extra, prepare-se para uma mudança de paradigma. A partir de agora, para as empresas listadas em bolsa, a sustentabilidade não é mais uma opção, mas uma obrigação estratégica que pode, literalmente, redefinir seu valor de mercado. E se você é uma empreendedora, líder ou gestora, mesmo de uma empresa menor, é crucial entender essa virada de chave. O que acontece com as grandes, cedo ou tarde, respinga em todas nós.

O Que a CVM Está Trazendo para a Mesa?

A CVM, em um movimento pioneiro globalmente, exige que as empresas de capital aberto no Brasil publiquem relatórios de sustentabilidade seguindo padrões internacionais rigorosos: os IFRS S1 e S2 (rebatizados aqui como CBPS 01 e 02). Isso significa que, até maio de 2027, todas as empresas da B3 precisarão detalhar como suas operações são impactadas por questões ambientais, sociais e de governança (ESG), e o que estão fazendo a respeito.

Não é sobre “maquiar” dados ou fazer um marketing verde superficial. É sobre transparência radical. O CBPS 01 exige informações amplas sobre sustentabilidade para investidores, enquanto o CBPS 02 foca nos riscos e oportunidades climáticas do negócio. Imagine a Vale, que após tragédias como Mariana e Brumadinho, se antecipou e usou essa exigência como uma oportunidade para reconstruir sua reputação e mostrar vanguarda em ESG. Ou a Renner, que já documentava suas práticas e agora as formaliza, exibindo projetos como o algodão agroflorestal, que conecta a moda à regeneração do solo.

Sustentabilidade Não É Custo, É Oportunidade e Valorização

Para nós, mulheres que lideram e empreendem, essa nova regra é um lembrete poderoso: a sustentabilidade é um pilar de valor. Empresas que ignoram os riscos climáticos, a diversidade em suas equipes, a segurança de seus colaboradores ou a saúde de suas comunidades estão, na prática, corroendo seu próprio valor.

Em Sorriso, por exemplo, a sustentabilidade no agronegócio é palpável. Um produtor que investe em práticas regenerativas, que cuida da saúde do solo, que adota tecnologias para reduzir o uso de água e fertilizantes, não está apenas protegendo o meio ambiente. Ele está protegendo sua produtividade a longo prazo, garantindo a resiliência de seu negócio frente às mudanças climáticas e, sim, aumentando o valor de sua terra e de sua produção. Ele está se preparando para um futuro onde o “selo verde” não é um diferencial, mas um pré-requisito para acesso a mercados e financiamentos.

Os investidores já perceberam isso. Gestores de portfólio estão analisando os riscos climáticos das empresas antes de decidir onde colocar seu dinheiro. Ter práticas sustentáveis não é apenas bom para o planeta; é bom para o negócio, para a reputação e, consequentemente, para o valor de mercado.

O Que Isso Significa Para Você e Sua Empresa?

Mesmo que sua empresa não esteja listada na B3, a onda de transparência e responsabilidade ESG vai alcançá-la. Grandes empresas exigirão isso de seus fornecedores. Bancos e fundos de investimento já estão olhando para esses critérios ao conceder crédito. Consumidores, cada vez mais conscientes, preferem marcas que demonstram compromisso real com a sustentabilidade.

Minha provocação para você é: Não espere a CVM bater à sua porta. Comece agora.

Mapeie seus impactos: Quais são os riscos e oportunidades ESG específicos do seu negócio? Como suas operações afetam o meio ambiente local, a comunidade, seus colaboradores?

Comece a medir: Você não pode gerenciar o que não mede. Quais indicadores de sustentabilidade você pode começar a acompanhar? Em Sorriso, podemos pensar no uso da água, na gestão de resíduos, na diversidade da equipe, no impacto social dos seus projetos.

Comunique com transparência: Conte sua história. Mostre o que você está fazendo, os desafios e os progressos. A autenticidade é a chave.

Integre a sustentabilidade na sua estratégia: Não como um departamento isolado, mas como parte do seu DNA, da sua cultura, das suas decisões de negócio.

Mulheres líderes e empreendedoras têm um papel fundamental nessa transformação. Temos a capacidade de inovar, de conectar, de cuidar. A sustentabilidade prática é sobre isso: transformar desafios em oportunidades, riscos em valor. A nova regra da CVM é um catalisador, mas a verdadeira mudança começa com a nossa visão e a nossa ação. O futuro do valor de mercado das empresas não está apenas nos balanços, mas na forma como elas se relacionam com o planeta e com as pessoas. E você, está pronta para construir esse valor?

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