
No Brasil, somos mais de 50 milhões de mães. Um exército de força, resiliência e, muitas vezes, de sacrifícios invisíveis. Mas, e se eu disser que, para além do amor incondicional e da dedicação, as mães são também as maiores agentes de sustentabilidade que conheço? Não estou falando apenas das mães que trabalham com o tema, mas de todas as mães. No próximo domingo, celebramos o Dia das Mães, e é a oportunidade perfeita para refletirmos sobre o legado que estamos construindo, não só para nossos filhos, mas para o planeta que eles herdarão.
A Sustentabilidade Começa em Casa (e na Roça)
Por mais de 20 anos, vivendo e trabalhando no agronegócio, aqui em Sorriso-MT, a “Capital Nacional do Agronegócio”, vi de perto como a mulher, e em especial a mãe, é a espinha dorsal de muitas propriedades rurais. Ela é quem gerencia a casa, cuida da alimentação, da saúde da família e, muitas vezes, está lado a lado na gestão da fazenda. Essa gestão doméstica, que parece tão trivial, é a base da sustentabilidade prática.
Pense comigo: quem, historicamente, ensinou a não desperdiçar comida? A reutilizar embalagens? A consertar em vez de jogar fora? A otimizar recursos? As mães. Elas são as primeiras educadoras ambientais, mesmo sem um diploma na área. Em uma fazenda, a mãe que garante que a horta familiar produza alimentos frescos, que a água seja usada com parcimônia e que os resíduos sejam minimizados, está praticando sustentabilidade de forma visceral. Ela não está pensando em relatórios de ESG, mas na saúde e no futuro de seus filhos.
O Poder da Compra e a Voz da Mãe Consumidora
Agora, vamos expandir essa visão para o mundo do consumo. Uma pesquisa recente da NielsenIQ mostrou que 65% das mães brasileiras se preocupam com o impacto ambiental dos produtos que compram. Mais do que isso, 72% delas afirmam que a sustentabilidade é um fator importante na decisão de compra. Isso não é um dado qualquer; é um tsunami de poder de mercado.
Mães empreendedoras e líderes, entendam o recado: suas escolhas de consumo e as escolhas que vocês influenciam em seus lares e negócios têm um impacto gigantesco. Quando uma mãe escolhe um produto com embalagem reciclável, ou um alimento de origem responsável, ou uma roupa feita com materiais sustentáveis, ela está votando com a carteira. Ela está exigindo que as empresas mudem. Em Sorriso, vejo cada vez mais mães buscando produtos locais, orgânicos, apoiando pequenos produtores. Isso é sustentabilidade prática em ação, fortalecendo a economia local e reduzindo a pegada de carbono.
O Legado Crítico: Desafios e Responsabilidades
Mas o Dia das Mães também nos convida a uma reflexão crítica. Não podemos romantizar a maternidade a ponto de ignorar os desafios. Muitas mães estão sobrecarregadas, sem tempo ou recursos para fazer escolhas “sustentáveis” que são, muitas vezes, mais caras ou de difícil acesso. A sustentabilidade não pode ser um luxo.
É nossa responsabilidade, como líderes e empreendedoras, criar um ambiente onde as escolhas sustentáveis sejam as escolhas fáceis, acessíveis e justas. Isso significa pressionar por políticas públicas que apoiem a produção responsável, por empresas que ofereçam produtos éticos a preços justos, e por uma cultura que valorize o consumo consciente.
Como mães, temos o dever de educar nossos filhos para serem cidadãos globais conscientes. Não basta dizer “não jogue lixo no chão”. Precisamos explicar o ciclo do lixo, a importância da água, a origem dos alimentos. Precisamos ser exemplos. Em casa, aqui em Sorriso, sempre converso com meus filhos sobre a importância de economizar água, de separar o lixo, de valorizar a natureza ao nosso redor. Isso não é teoria; é vivência.
Mães que Inspiram, Mães que Transformam
Neste Dia das Mães, celebremos não apenas o amor, mas a força transformadora das mães. Sejamos as mães que inspiram, que educam, que exigem e que constroem um futuro mais verde e justo. Que nosso legado seja de um planeta saudável para as gerações que virão. Porque, no fim das contas, a sustentabilidade é o maior ato de amor que podemos oferecer aos nossos filhos. E para isso, não precisamos de superpoderes, apenas da nossa essência de mãe.
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